quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Quando descobri que vou ser mãe de menina


       Pra quem não sabe, sou de uma família de mulheres. Muitas mulheres. Meu avô teve 6 filhas. Nasceram 5 netas e depois mais 2 bisnetas. De meninos, só nasceram 3, de forma espaçada e não convivo com eles.

       Pra completar, tive um pai bem ausente e cresci numa casa cheia de mulheres. Até os meus 9 anos éramos 6 mulheres na mesma casa. Apenas as 6, nada de homens.  Depois, minha avó se casou de novo e meu "vodrasto" passou a morar com a gente.

       Lá pelos meus 15 anos, minha mãe casou de novo. Fui morar com ela e meu padrasto. Ela engravidou e nasceu uma...menina. Fiquei craque em  cuidar de uma baby girl. Não ajudava muito, até porque estava no ano do meu vestibular (e achava que uma adolescente de 16 anos não tinha a menor obrigação de cuidar de neném haha), mas quando precisavam de mim, eu sabia muito bem executar minha função trocando fraldas, cantando todo o repertório de músicas de ninar e auxiliando no banho. 

       O tempo passou e minha mãe engravidou novamente. Adivinhem só? Pois é. Outra menina! Ah! E antes da minha irmã mais nova nascer, minha prima engravidou e nasceu uma...menina (que é minha afilhada)!

       Então, pra mim, o universo masculino praticamente não existiu. Mesmo quando passei a ter um 'vodrasto' dentro de casa, ele praticamente não tinha voz ativa, porque a palavra final era sempre da minha avó (coitado! hahaha). Além disso, ele era mega organizado. Essa coisa de cuecas e meias espalhadas pela casa, toalha molhada sobre a cama e outras 'homenzices' irritantes só fui saber que existiam depois de casada.

       Cresci em meio a maquiagens, perfumes, bolsas, esmaltes, flores, brincos, colares, dietas, frescuras, gritinhos, depressões por desilusões amorosas e, claro:  muito drama e exagero! Esse é meu mundo, muito prazer. Foi inevitável não me transformar num produto do meu meio e virar uma mulher cheia de "peruices" e comportamento pra lá de superlativo. Até porque minhas brincadeiras quando criança eram um complemento desse meu universo. Brinquei MUITO com as minhas bonecas e todas elas eram meninas. A 'Marina' era minha boneca preferida e me acompanhou por anos. Levava para viajar, passear, colocava pra dormir. As Barbies não ficavam pra trás e transformava meu quarto numa verdadeira cidade de Barbie. Amava também brincar de maquiagem, de me arrumar, colocar as roupas da minha mãe e depois fotografar, brincar de atriz, cantora. Depois teve a fase da cozinha, em que eu amava fazer brigadeiro, pipoca e uma torta de chocolate com côco, as únicas coisas que minha avó deixava porque eram fáceis e não corria grandes riscos de acidente doméstico rs. 

         Definitivamente, não fui uma garotinha 'moleca', que voltava pra casa toda suja depois de brincar de amarelinha e pique-bandeira. Nunca quebrei um braço ou uma perna. Nas aulas de educação física, quando iam escolher time, eu SEMPRE era a última a ser escolhida, porque não tinha a menor habilidade para esportes e sempre dava mini chiliques quando a bola chegava a mim, porque muitas vezes me machucava (tenho um  dedo torto até hoje por causa de um jogo de volley)  hahahaha.

              Só que conforme fui me transformando em adulta e comecei a pensar que um dia seria mãe, comecei a pensar que seria legal viver uma experiência diferente. Afinal, tudo que tinha para ser explorado no universo feminino, eu já tinha explorado, eu já tinha vivido (pelo menos eu achava). Comecei a pensar que seria legal viver um pouco longe de saias de tule rosa e sapatilhas de balé com fita de cetim. Talvez fosse interessante brincar de bola, de luta, comprar bonés e bermudas e deixar meu mundo mais azul.

             Comecei a pensar nisso por volta de uns 24, 25 anos e o pensamento foi tomando forma. Com o tempo, eu só me imaginava como mãe de menino. Já tinha até nome. Engraçado isso. Parece que eu estava negando tudo que tinha vivido até ali e como eu realmente era. Onde estava no meu imaginário a Marina, minha boneca preferida da infância? Cuidei dela com tanto amor. Por que ela não tinha espaço na vida real? Falando disso na terapia certa vez, minha analista disse algo óbvio, mas que nunca tinha pensado: a valorização do 'falo' na minha família era velada, mas existente. Faz sentido.

             O tempo passou, casei e engravidei. Na outra gestação que perdi, nem tive tempo de idealizar muito o sexo da criança, mas nessa...ah! Eu tinha certeza de que era um menino! Tudo de menino me chamava atenção nas vitrines. Menininhas na rua fazendo 'mini mulherzices' (como eu sempre fiz na infância, diga-se de passagem rs) me irritavam demasiadamente. Era definitivamente uma negação à minha família, às minhas raízes, a mim. Por que isso se adoro ser mulher e amo tudo do universo feminino?  Freud explica ou deveria explicar.

              Eu tinha certeza que gerava  um menino, até que lá pelas 10 semanas sonhei com meu 'vodrasto' (falecido em 2008) dando um pirulito enorme e colorido para uma menininha linda de uns 7 anos de idade. No sonho eu falava:"Não dá doce pra ela". Pronto. Acordei mãe de menina. Curioso eu sonhar justamente com a única referência masculina que tenho na família me apresentando a minha filha. Curioso e...  lindo demais!

             A única dúvida que eu tinha se meu sonho foi premonitório ou não, era que a menina para quem meu avô dava o pirulito não tinha nada a ver comigo nem com meu marido. Então, apesar de, no fundo, saber que viria uma baby girl, eu ainda pensava em meninos.

           Até que depois da translucência nucal e do risco fetal, já não aguentava mais de ansiedade e resolvi fazer a sexagem fetal. Poderia ter feito o exame antes, lá pelas 8/9 semanas, mas pelo trauma anterior, resolvi esperar pra ver se estava tudo certo com o bebê.

            O resultado saiu uns 4 dias depois da coleta de sangue. Acompanhava obsessivamente a cada minuto na internet. Até que quando estava pegando meu carro pra ir a uma consulta com a nutricionista, resolvi entrar no site do laboratório pelo celular mesmo e tinha saído o resultado! Para minha surpresa, não foi encontrado nenhum cromossomo 'y" na minha corrente sanguínea. Ou seja: MENINA! Fiquei em choque na hora. Não conseguia pensar em nada e nem dar a notícia pra ninguém. Apenas liguei o carro e fui em direção ao consultório da nutri.

             Quando parei o carro, liguei pro Eduardo pra dar a notícia. Ele ficou feliz. Claro que um pouco preocupado, porque ao contrário de mim, ele não teve qualquer relação com o universo feminino. Só teve irmãos e muitos primos homens, mas ficou muito feliz. Ainda mais sendo a primeira filha, a boneca, a princesa do papai.  Eu ainda estava no meu choque hahahah. Estava tão fora de órbita que esqueci minha pasta com TODOS os meus exames de gravidez no banheiro do Cittá América (shopping onde minha nutricionista tem consultório). Minha sorte foi que um anjo bom achou a pasta, pegou o telefone da minha médica numa receita e conseguiu meu telefone.

                 Confesso que esse primeiro dia foi estranho, confuso, porque tinha tanta certeza há anos que seria um menino, que foi difícil pra me acostumar. Só no dia seguinte que dei a notícia para todos. Minha mãe AMOU. Chorava de alegria como se não houvesse amanhã hahaha . Ela disse que tinha certeza que seria menina e só gritava (sim, GRITAVA): "eu sabia!! Minha netinha! Minha netinha!". Minha sogra também adorou a notícia! Ela só teve filhos homens e, apesar de já ter uma neta, o universo dela começa a ficar cada vez mais cor-de-rosa. Além disso,  o sonho dela era ter uma menina para colocar o nome de Manuela. O nome do meu marido, se fosse uma menina, seria Manuela. Eu jamais soube disso e  por MERA COINCIDÊNCIA escolhi o mesmo nome. Incrível né? A Manuela teria que vir de qualquer forma para essa família, ainda que tenha atrasado uma geração para chegar haha.  

                  Os dias foram passando e eu fui me acostumando com a ideia. Por que raios eu implicava tanto com meninas se eu sou uma, fui criada no meio de várias e sempre amei isso? haha Eu hein! Aí comecei a raciocinar friamente. Pensei nas relações entre mães e filhas ao meu redor. No geral, a filha é infinitamente mais companheira, mais amiga da mãe. Além disso, a mãe tem  a abertura de participar mais ativamente da vida da filha e quando esta se casa, leva marido e filhos para a casa da mãe. A mãe sonha e participa dos 15 anos, dos preparativos para o casamento (nem gosto né? haha), da gravidez, dos netos quando nascem. É a filha mulher que fica na cozinha tomando um vinho com a mãe enquanto elas fazem o jantar no final de semana. É a filha mulher que vai ao shopping, é a companheira de compras, viagens, salão. Quando os pais envelhecem , são as filhas mulheres que se dividem para dar assistência. O homem , na maioria dos casos (tudo tem exceção, claro), é mais bicho solto, 'desgarrado' e tende a ser mais afastado quando cresce. Quando casa, vive mais a vida na casa dos pais da esposa do que na casa dos seus próprios pais.

                 Lembrei da minha boneca Marina e por um instante pensei em colocar esse nome na minha filha (mas o marido não curtiu). Nada mais real, puro e genuíno. Eu teria a oportunidade de ter uma Marina DE VERDADE nos meu braços, colocar laços, brincos, enfeitar e levar pra todos os lugares comigo. Minha companheirinha de infância saiu da fantasia para ser minha parceira de vida. Incrível. Mágico.
                     
                 Comecei a curtir muito a ideia e a pensar que, mesmo se tivesse algum erro no exame, que eu já não queria menino de jeito nenhum! Queria ser mãe de menina de qualquer jeito!Na ultra de 16 semanas fui tensa rezando para a médica confirmar que seria menina mesmo e, graças a Deus, era! Ufa!
            Nasci para ser mãe de menina e isso estava nos planos de Deus o tempo todo, antes de eu nascer. Fui preparada a vida inteira para isso  e poucas têm esse privilégio. Se por um lado a presença do universo masculino deixou a desejar, fui presenteada com a complexidade do feminino o tempo todo a minha volta. Viver em meio a tantas mulheres interessantíssimas não é para qualquer um e a  Manuela vem para somar e abrilhantar esse time.

                     Vem, Manuela. Vem que já estou pronta para te receber desde sempre. Vem ser minha boneca, vem ser minha filha,  Vem ser mais uma mulher na minha vida. Ou melhor, A mulher da minha vida.               
             

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Os loucos 3 primeiros meses


       Dizem por aí que o primeiro trimestre é a fase mais difícil da gestação e tenho que concordar! Além de uma série de incertezas e expectativas, nosso organismo muda MUITO! É muito sono, muita indisposição, muito enjôo, o peito doendo e crescendo na velocidade da luz (falando nisso, meu peito merece um post especial! Virei em poucos meses uma espécie de Sabrina Boeing Boeing misturada com Fafá de Belém!). Bom, e passamos por tudo isso ainda SEM barriga. Ou seja, ainda sem rolar aquela história das pessoas sorrirem pra você na rua, te darem tratamento preferencial, te protegerem.

     Ah! E no meu caso sem ninguém saber da gestação. Quando falo ninguém, é ninguém mesmo. Nem minha mãe. Só contamos pro padre que casou a gente pra ele rezar pela gravidez. 

       Então foi bem chatinho passar por esses meses viu? Tive que fazer coisas do arco da velha pra escapar de determinadas situações. Tudo isso pra proteger minha gravidez e também para não desconfiarem. Querem um exemplo? Passei meu primeiro dia das mães sozinha. A comemoração foi na casa da minha avó e uma prima minha mora lá. Essa prima estava doente, com um negócio meio bizarro que ninguém sabia explicar o que era. Vocês acham que eu iria arriscar? Jamais! Falei pra minha mãe que estava na reta final do tratamento pra engravidar e não poderia ser exposta a nenhum tipo de enfermidade. Ela acreditou, coitada. O  marido obviamente foi almoçar com a mãe dele (afinal, era dia das MÃES e não aniversário de casamento ou dia dos namorados rs).Eu não poderia almoçar com a sogra porque ela também iria achar estranho eu não estar com minha mãe. No final, fiquei sozinha em casa :-(

      Outra situação que me irritava muito e eu tinha que inventar mil histórias pra escapar eram os encontros frequentes com uma amiga minha, que é MEGA fumante. Essa amiga  estava se separando na época do início da gravidez. Eu como uma amiga irmã dela, óbvio que tinha que dar todo o apoio que ela precisasse. Ela ia pra minha casa toda semana praticamente. Só que como ela estava muito nervosa na época, fumava SEM PARAR. No início eu dizia que estava com alergia, pra ela fumar longe e se trancar na varanda . Só que a fumaça acabava de uma forma ou de outra chegando a mim ou ficando impregnada no ambiente. Até que teve um  dia que não dava mais e pedi para ela descer e fumar na rua hahah.

        Um momento que vai entrar pra história foi minha mudança de casa. Acho que estava com umas 9/10 semanas quando nos mudamos. Foi muito engraçado porque eu fazia pausas pra me trancar no banheiro e vomitar, enquanto os funcionários da empresa de mudança encaixotavam as coisas hahaha. Minha sogra foi me ajudar e eu tinha que disfarçar o tempo todo o fato de não poder pegar peso. Dizia que estava com um problema na coluna. Meu Deus! Esse início de gravidez me ensinou a mentir como ninguém! 

        Ah! E é claro que passei pela clássica situação de estar em eventos em que rolava bebida alcoólica e o MUNDO vinha me perguntar porque eu não estava bebendo. Ai que saco! Quando dava, dizia que estava dirigindo e não poderia beber. Outras vezes, dizia que estava fazendo um detox, mas as pessoas não respeitavam.Outras vezes falava que estava fazendo promessa e por aí vai.    

        Outra coisa desconfortável foi que nas 14 primeiras semanas tomei Utrogestan de 8 em 8 horas. Era chato demais quando estava na rua ter que sair correndo atrás de banheiro na hora do remédio e fazer malabarismos segurando um monte de coisa para colocá-lo hahah. Além disso, o medicamento me deixava mais indisposta do que eu já estava, irritada e inconstante. Pode ser impressão minha, mas sentia isso. 

       E é claro: o que mais me incomodava dessas coisas todas, era a incerteza de que tudo estava indo bem. No primeiro trimestre só fazemos 2 ultras: uma com 6 semanas e outra com 12, já ao final dessa fase inicial. Ou seja: ficamos muito tempo sem ver o bebê. Para fazer a primeira ultra relutei muito. Queria esperar o máximo por causa do trauma anterior. Da outra vez nem a oportunidade de ouvir o coração bater eu tive. Falei pra minha médica que não iria fazer a ultra com 6 semanas, que queria esperar até uma fase em que não restasse a menor dúvida de que a gravidez tinha vingado ou não. Por aquele desgaste anterior de ter que voltar mil vezes pra fazer  ultra e esperar dias naquela aflição, decidi que não passaria mais.  Fiz então com 8 pra 9 semanas e graças a Deus, deu tudo certo!

       Foi mega emocionante ouvir o coração pela primeira vez. Eu só chorava de felicidade e agradecimento! 

      Depois dessa primeira ultra, fiquei muito mais confiante de que tudo daria certo! O trauma já tinha passado e a partir de então, era só novidade e muita coisa boa pra descobrir. É claro que um certo medinho continuava me atormentando e por isso ainda não conseguia comprar nada e nem fazer a sexagem fetal. Tenho a impressão de que a partir do momento que você sabe o sexo, a gravidez já toma forma, cara, o bebê já tem nome . Se eu perdesse depois, seria muito mais difícil superar. Por isso, resolvi (na verdade, resolvemos marido e eu) esperar a translucência nucal e o risco fetal pra fazer planos de enxoval e descobrir o sexo.

    Com 12 semanas lá fui fazer a TN e para minha surpresa já tinha um bebê de verdade dentro da minha barriga hahahaha. Impressionante  como em poucas semanas uma bolinha se transformou num neném todo formadinho já! A natureza é muito sábia e Deus maravilhoso! Com o laudo da TN, fui fazer o risco fetal e tudo certo também. 

     Então, já era a hora de contar para a família! No próximo post falo sobre isso.

Por hoje é só!
Beijocas      

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Vida nova! Descobrindo a gravidez



Oi, meninas!

     Passado o post pesado, agora vamos falar de alegria! Vou contar sobre a descoberta da minha nova gravidez.

      Bom, passada aquela confusão toda de aborto, médica ruim, depressão, agressividade etc, passei a ir com regularidade ao consultório da Dra Célia. Ela começou a investigar a fundo o que poderia ter levado à perda do bebê. Através de um exame, descobriu que tenho uma tendência a coagulação, que exige cuidados especiais. Não chega a ser trombofilia (o que exigiria tratamento com anti-coagulante), mas através desse diagnóstico uma futura gestação teria que ser cercada de cautelas para tudo dar certo. Minha anja médica recomendou então que eu fosse a duas hematologistas para mostrar os exames. Fui às duas e elas me deram as orientações para a gravidez e alguns cuidados para a vida toda.

       Até que passaram os meses e faltava o resultado de um exame pra eu ser liberada pra engravidar novamente. Isso era no início de abril. Como estava com uma viagem agendada pra comemorar meu aniversário no final do mês, deixei para agendar uma consulta com Dra Célia só em maio, assim que voltasse de viagem. Afinal, quem já tinha esperado até ali, poderia esperar mais um pouco. Além disso, queria aproveitar 'etilicamente' minha viagem hahaha. 

     No fim de abril, viajei e bebi como se não houvesse amanhã hahahah. A "regra" era pra descer durante a viagem, mais precisamente dia 02.05. Só que não desceu. Nem encanei com isso, porque sempre tive um período meio irregular e no mês anterior só havia corrido UM dia de risco. Jamais achei que pudesse estar grávida. O problema é que no dia seguinte, NADA também. De qualquer forma, não falei nada pro marido. Afinal, poderia ser só meu ciclo louco dando as caras novamente.

     No último dia de viagem, andamos o dia todo e à noite tínhamos uma reserva num restaurante. Nada da 'monstra''. Aí quando estávamos indo pro restaurante, já à noite, me bateu aquele pesinho na consciência porque, pela primeira vez, considerei estar grávida. E o tanto de culpa que senti por ter bebido que nem louca a viagem inteira? E a paranoia que iria ficar se pedisse vinho durante o último jantar da viagem?  Então, toquei no assunto com o marido e falei que antes de chegarmos ao restaurante, passaria numa farmácia pra comprar um teste.

     Por todo o trauma e desgaste que passamos, Eduardo foi terminantemente contra. Falou pra deixar pra fazer um exame de sangue quando voltássemos.  E quem disse que acatei a opinião dele? hahahah Falei que precisava de qualquer jeito fazer o teste porque se estivesse grávida, não tomaria vinho durante o jantar. Mentira óbvio hahaha. Estava ansiosa pra saber o resultado. Dane-se o vinho hahah.  Disse pra ele  que era só pra tirar a dúvida mesmo, mas tinha certeza que não estava pois não estava sentindo nada. Realmente, não estava. O máximo que estava sentindo era uma dor na mama, o que super se confunde com o período pré-menstrual.

       Bom, passei na farmácia e comprei o melhor teste disponível, pra não restar dúvidas. Fomos pro restaurante, mas estávamos bem adiantados e resolvemos parar num bar pra esperar nosso horário de reserva. O único bar próximo era um todo ambientado em clima de reggae, com direito a garçonete "riponga rastafari". Pensei que seria ali mesmo que faria o teste, apesar do background nem um pouco sugestivo kkkk. Marido, obviamente, não concordou. Falei que faria ali mesmo e não contaria pra ele o resultado já que ele não queria que fizesse o teste. Juro que queria que esse momento fosse carregado de romantismo e poesia, com sapatinho embalado na caixinha pra dar a notícia, cartões fofos em papel cartão e brigadeiros gourmet coloridos de azul e rosa bebê. 

      Só que todos os momentos do casal, exceto o casamento, poderiam tranquilamente ser roteiro de programa de humor, porque tem sempre uma trapalhada hahaha. Dessa vez, não foi diferente. Num momento de distração do Eduardo, peguei o teste e não dei nem tempo dele reagir. Quando ele viu o que eu estava prestes a fazer, já era tarde. Saí correndo com a caixa debaixo do braço, me tranquei no banheiro e lá fui eu fazer o teste. A orientação de uso era pra colocar a "canetinha" bem no jato da urina, diretamente mesmo. Que situação! Estava  tendo que me equilibrar pra não sentar no assento de um vaso sanitário público, segurando com uma mão minha roupa e com a outra segurando a canetinha do teste. E ainda por cima, eu tremia muito.  Que glamour!

         O teste era tão bom que eu nem tinha terminado de urinar (ai gente, desculpa os detalhes haha) e o sinal de positivo já estava aparecendo! Que nervoso! Quando apoiei a canetinha na bancada pra lavar as mãos, não restava mais dúvidas! O sinal de "+" estava muito nítido (o teste não era de listrinhas, mas com sinal de - e +). Acho que nunca tive tantas borboletas na barriga!!!! É indescritível a sensação! 

        Guardei a canetinha num saco plástico (não ia jogar na minha bolsa né?) e voltei pra mesa. Eduardo estava em cólicas quando me viu. Fiz mistério e falei que não iria contar porque ele era contra o teste hahaha. Sou má! Ele quase enfartando, implorando pra eu contar o resultado e... mostrei a canetinha. Ele quase caiu pra trás, porque realmente não esperava. Nos abraçamos, ficamos os dois meio bobos até cair a ficha e depois fomos jantar. O momento foi muito especial! No jantar, ele estava meio surtado falando coisas do tipo "agora você só vai comer orgânicos"; "temos que contratar uma nutricionista"; "manda mensagem pra Dra Célia pra ver o que tem que fazer"; "garçom, posso levar essa garrafa de recordação do dia que soube que vou ser pai?" hahaha.  Deixaram a gente trazer a garrafa:-) 

           Passado o momento de transe, fomos atrás de uma farmácia. A Dra Célia tinha me orientado que se descobrisse gravidez, antes de comemorar, tinha que tomar Utrogestan. Achamos o remédio com facilidade. Talvez por estarmos na Argentina, que tem praticamente as mesmas coisas que no Brasil.  Quando chegamos no hotel, rezamos para agradecer a benção que tínhamos acabado de descobrir.

         Voltamos de viagem no dia seguinte e mantivemos segredo por 3 longos meses!Pelo trauma anterior, guardamos a notícia de todos, até das mães. Só o padre que casou a gente e minha terapeuta  sabiam.

            Os 3 primeiros meses e a forma fofa como contamos para as pessoas é assunto pro próximo post.

               Aqui vai a foto do teste:




Por hoje é só!



Beijosssss

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Superando o aborto


Oi, meninas!

     Já peço desculpas pelo título, conteúdo e extensão do post, mas pra dar sequência aos posts de coisas boas e até aqueles mais rabugentos, porém bem humorados, antes eu preciso tocar nesse assunto. Não vou dividir o post em duas partes, por mais extenso que este seja, porque quero contar toda essa história de uma vez pra nunca mais voltar a falar nela (pelo menos dessa forma. Posso até voltar a citar rapidamente). 

     Até porque, exceto nas sessões de terapia, nunca toquei nesse assunto de forma detalhada como vou descrever aqui. Por um longo tempo, foi um bloqueio na minha vida abordar esse tema. Acho que a página até já foi virada, mas pra fechar o livro de vez dessa história triste, vai aqui meu relato. Que sirva de alerta pra quem ainda não engravidou e apoio pra quem já passou por isso.

    Bom, desde que casei o marido já fazia uma certa pressãozinha pra ter filhos. Eu tinha horror só em pensar na ideia. Sempre tive certeza que seria mãe, mas ainda não era o momento. Pressão do marido, da família, de todo mundo e eu nem aí. Mentira. Teve um momento que comecei a me sentir irritada com as piadinhas, mas não era nada que me afetasse tanto.

     Até que viajamos pra comemorar nossas bodas de algodão. Que viagem maravilhosa! Parecia  uma segunda lua-de-mel. Ali, não sei por que, comecei a pensar na possibilidade de engravidar, mas ainda de forma beeem remota sabe? Bem remota mesmo, mas comecei a pensar.

        Eu ainda tinha um DIU de cobre e decidi que quando chegasse de viagem procuraria meu médico pra tirá-lo, fazer os exames e me preparar pra engravidar. Achava que era um processo demorado e por já estar, na época, com quase 31 anos era a hora de começar a tomar as providências, porque se algo desse errado ou eu tivesse algum problema, ainda teria tempo suficiente pra correr atrás. Quando retornei, a primeira surpresa: meu médico que me atendia desde sempre, resolveu virar advogado (sim, advogado haha) e parou de atender. Me indicou uma médica, que ele dizia ser da sua mais alta confiança. Por isso, fiquei tranquila e marquei uma consulta.

       Já na sala de espera do consultório, não gostei muito. Secretária mal humorada, uma certa bagunça no ambiente, mas resolvi ficar. Chegou minha vez de ser atendida, pedi pra ela tirar o DIU e a consulta não levou mais que 15 minutos. Isso porque a médica não me conhecia. Isso porque contei pra ela que aos 26 anos tinha tido um AVC, possivelmente provocado por um trombo por uso da pílula  Diane 35  (a pílula bomba que já matou um monte de gente e que já foi proibida em alguns países!). Mesmo assim, ela nem se preocupou em, pelo menos, investigar, pedir exames complementares, nada. Apenas me pediu os exames de rotina e se despediu.Eu não sabia que o AVC de alguns anos atrás tinha TUDO a ver com minha futura gestação!  Continuem a ler, que vocês vão entender. 

       Ali, eu deveria ter procurado outro médico. Não deveria ter voltado naquela "profissional". Só que pensei "ah ok, GO não precisa ser o melhor dos melhores, não vou me estressar com isso e se não gostar, eu troco depois".  Ledo engano. Primeiro que não contava que poucos dias após de ter retirado o DIU iria engravidar. Sim, surreal! Engravidei de primeira. Quando descobri a gravidez, fiquei muito feliz, óbvio,  mas ao mesmo tempo tensa. Não estava preparada pra ser tão rápido como foi. Meu filho era muito bem-vindo, mas ainda não tinha dado tempo de me preparar psicologicamente pra ser mãe. Ainda tinha muitas coisas e sonhos na cabeça pra realizar antes de ter filho. Era um sentimento conflitante, meio paradoxal. Eu estava muito feliz, mas ao mesmo tempo muito angustiada porque quando tirei o DIU achava que demoraria de uns 6 meses a 1 ano pra engravidar (ninguém tinha me falado isso, mas 'aloka' achava).

     De qualquer forma, a felicidade superava tudo e imediatamente contamos pra família. Só seguramos pra contar pros amigos (só uma amiga minha e um amigo do marido sabiam). Ainda bem! Depois vocês vão entender por quê.

     Bom, no dia seguinte que descobri a gravidez, mandei uma mensagem pra médica avisando da gestação e avisando que marcaria uma consulta. Ela foi extremamente fria na resposta, mas ainda assim eu insisti que ela deveria fazer o acompanhamento pré-natal. Afinal, meu médico desde mocinha tinha indicado essa GO com força.Voltei ao consultório. Se a consulta durou 5 minutos foi muito. Ela me pediu uma ultra quando completasse 6 semanas e se despediu.

      Até completar 6 semanas, tudo andava às mil maravilhas. Conversava com Deus e achava que nem merecia tanta felicidade. Imaginem só! Estava casada, feliz, trabalhando no que eu gostava e ainda por cima tinha acabado de descobrir que era 'fértil no último' (rsrs) e que um filho viria pra abençoar meu casamento. A falta de humanidade e sensibilidade da médica me incomodava sim, mas era tanta coisa boa que estava ao meu redor, que superava esse comportamento dela. 

     Era um tal de receber presente pro neném, marido comprar roupinha, começar a pensar na mudança de apartamento (que era meu sonho), tanta felicidade, que uma médica medíocre era muito pouco pra estragar tudo isso.

     Chegadas as tão esperadas 6 semanas, fui correndo marcar a ultra. Ali começou minha saga. A médica (outra insensível e até meio grossa!) só conseguiu ver o saco gestacional. Nada do embrião. Falou pra voltar em 2 semanas, porque aquilo podia acontecer mesmo. Eu poderia ter tido uma ovulação tardia e estar com menos tempo de gestação. Fiquei triste e preocupada, mas ok. Resolvi esperar mais 2 semanas.

    Quando chegaram as 8 semanas, marquei em outro local. A médica (dessa vez muito sensível e humana), disse, com todo jeitinho e carinho, que a gravidez poderia ter sido interrompida, mas que ainda não era definitivo. Ela até conseguiu ver o embrião, mas não tinha batimento.  Me falou pra esperar mais 1 semana e repetir a ultra. Lembro das últimas palavras dela: "vamos dar mais uma chance a esse bebezinho".

     Saí de lá arrasada. Esperei chegar no carro e desabei a chorar, chorar, chorar. Eduardo contou pra minha sogra, que conseguiu a indicação de um lugar maravilhoso de ultrassonografia (e caro também, mas não me importava!!). Depois de dois dias, fui até lá pra fazer a ultra, com a esperança que tudo estivesse bem, mas no fundo, sabia que tinha acontecido o pior. Dito e feito: a médica disse que meu bebê tinha morrido, parado de se desenvolver. Ela conversou comigo, disse que o mesmo tinha acontecido com ela e que depois de 6 meses ela já estava grávida novamente, mas nada me consolava. Comecei a chorar ali mesmo no laboratório, na frente de todo mundo,

      Liguei pra minha GO  na hora e ela disse que acontece, que a natureza tratou de descartar um ser mal formado e me mandou esperar porque o meu próprio organismo ia tratar de expelir o embrião. Foi a ÚLTIMA vez que falei com ela. Meu aborto foi retido. Mandava mensagens pra ela preocupada com medo de ter uma infecção. Até hoje (já tem mais de 1 ano!), ela não me respondeu.

     Em meio a todo o caos psicológico que a perda do bebê havia gerado, eu estava sem assistência médica! Não tinha a quem recorrer, porque meu médico de toda uma vida havia abandonado a profissão e minha GO não estava nem aí pra mim. Se eu pegasse uma infecção e morresse, dane-se.

    Uma sensação de impotência, desespero, fracasso tomou conta de mim. Não queria ver ninguém, falar com ninguém, E pra piorar, fisicamente, o problema não estava resolvido porque o embrião ainda estava dentro de mim.

      Meu marido, que também estava arrasado, teve que ser forte pra tentar me cercar de todo o apoio e distrações possíveis. Conseguiu a indicação de uma terapeuta e marcou uma viagem para o final de semana. Nós, por TOTAL falta de assistência e orientação, já que a médica havia me abandonado,  achávamos que uma viagem para a serra me faria bem, nos faria bem. Isso já tinha 1 semana e 1 dia que tinha recebido a notícia de que o embrião não se desenvolvera. Estávamos literalmente de malas prontas e hotel reservado para viajar, quando o telefone tocou.

    Era uma amiga da minha sogra, muito amiga nossa também, da família. Viu Eduardo crescer e o trata como filho. Ela sabia da gravidez e da perda e sempre comentou que tinha uma GO excelente. Por isso, minha sogra, que estava viajando naquele período, ligou pra ela e pediu ajuda. Pediu para que ela ligasse para a médica dela e explicasse a situação.

     Aí que começa o agir de Deus nessa história toda. A GO dela, que nunca tinha me visto na vida, falou que queria me ver naquele mesmo dia, pra eu parar tudo que estava fazendo e ir ao consultório e não viajar de jeito nenhum. Fui lá com Eduardo.

     Essa anja, que se chama Dra Célia Regina da Silva (até hoje e para sempre, minha médica), me colocou na frente das pacientes dela, e levou umas 2 horas na consulta. Me explicou que eu jamais poderia viajar porque poderia ter uma infecção ou porque o aborto poderia acontecer e talvez tivesse hemorragia. Na primeira consulta, já pegou TODO meu histórico e já me explicou as possíveis causas da perda do bebê. Falou que iria investigar trombofilia por causa do AVC. Falou que eu jamais poderia ter tomado a Diane 35 com meu histórico. Traçou o histórico familiar. E deu 2 dias como prazo final para o organismo expelir o embrião e os restos gestacionais. Caso contrário, na segunda-feira (a consulta foi numa sexta), ela faria uma AMIU (aspiração manual intra uterina).

     No sábado pela manhã, quando acordei, o organismo começou a trabalhar. Comecei sangrando normal, mas depois comecei a sangrar muito. O sangramento virou hemorragia séria. Minha casa parecia cenário de guerra. Um horror. E o mais triste era a cada sangramento ter a consciência de que era meu filho se esvaindo, indo embora e eu sem poder fazer nada. Já estava devastada psicologicamente e ainda por cima tive que lidar com esse sofrimento físico.

      Ligamos para a Dra Célia e ela disse pra observar, mas que se continuasse pra ligar pra ela. Ela nem me conhecia direito, mas fez jus ao juramento da formatura de medicina. Estava preocupada em salvar uma vida e assim ela fez. Meu sangramento aumentava e não parava e a Dra Célia me orientou a ir a uma maternidade.  Meu Deus! É muito estranho e triste ir a uma maternidade numa situação dessas. Chegando na maternidade, o sangramento não parava e os restos gestacionais ainda não tinham saído por completo. Então, não teve jeito: eu tinha que ser submetida a uma curetagem de emergência. Caso contrário, poderia até morrer.

       Fiz a curetagem, o sangramento parou, mas fiquei com uma anemia severa. No dia seguinte fui liberada pra casa. E quando voltei pra casa é que caiu a ficha completa. Entrei num processo depressivo, em que não queria falar com ninguém, não queria ver ninguém, só chorava. Não podia ver mulher grávida e muito menos bebês, que eu tinha tristeza e um pouco de raiva misturada com frustração e sentimento de fracasso. Muito louco e cruel esse sentimento, o que me levava a sentir culpa,  mas a terapeuta me confortava e dizia que era absolutamente normal. Gestantes e nenéns 'iluminavam', 'colocavam um holofote' no meu problema. Em outras palavras, mexiam na ferida e tudo que eu não queria era olhar e sentir essa ferida.

      Uma sensação horrorosa deste período foi aguentar as pessoas que sabiam da gravidez, encará-las. Sei que é bobagem e que todos estavam ali chateados, querendo me dar apoio. Só que eu não queria apoio nenhum. Queria me isolar, ficar sozinha. Fora isso, fiquei com um sentimento de fracasso absurdo. Fracasso de não ter tido saúde pra levar minha gravidez adiante, misturada com vergonha e impotência. BOBAGEM! Besteira!! Hoje eu sei de tudo isso, mas na época estava tão fora de mim, que não entendia assim.

      Além disso, comecei a ficar agressiva. Principalmente, com o Eduardo. Acho que descontei nele porque era a pessoa mais próxima e no meu inconsciente louco da época, achava que eu estava sofrendo mais que ele. Afinal, o bebê tinha saído da minha barriga e não da dele. Coitado, ele fez aniversário neste período e foi horrível. Ele tentava me dar apoio, mas não tinha ninguém pra dar o apoio pra ele.

    Fiquei isolada e agressiva por uns bons meses. O pior é que tinha que continuar trabalhando, tinha evento pra montar e ninguém tinha nada com isso, As pessoas me contrataram e eu tinha que ser profissional e entregar o evento da melhor forma. Como foi difícil! Primeiro porque a minha vontade era simplesmente ficar na cama chorando o tempo todo, segundo porque se já não queria ver gente próxima, imagina gente estranha! E ainda por cima, ser profissional e ter que sorrir e sonhar junto com a pessoa. Foi muito ruim.

     Só que os meses foram passando e tudo começou a se acalmar. Comecei a ter vontade de reagir, de ver as pessoas próximas, de sair. Comecei a fazer a bateria enorme de exames que a Dra Célia me pediu e bingo! Ela estava certa! Tenho um problema de coagulação no sangue, que não chega a ser trombofilia, mas exige cuidados especiais. Se eu soubesse disso antes, não teria tido o AVC e muito menos abortado, mas acredito que nada é por acaso e tudo tem uma razão de ser nessa vida.

        A descoberta desse problema, em vez de me deixar desesperada, me deixou tranquila. A Dra Célia NUNCA falou pra mim que era normal perder filho. Poderia sim ser uma má formação, sei que acontece com 20% das primeiras gestações e blá blá blá, mas...poderia ser algum problema meu e teria que ser investigado. Ou até do Eduardo. Por que não? E era um problema meu. Imagina se eu tivesse engravidado novamente sem saber disso? Continuaria perdendo filho sem nem saber por quê.

           O tempo passou, fiz outros exames, mas ainda estava, de alguma forma, sob o efeito da perda. Hoje, olhando pra trás, vejo que ainda não estava completamente curada. Tem mulheres que superam rápido, já tentam engravidar novamente de imediato e levam suas vidas com a máxima normalidade desde o início. Comigo não foi assim. Fiquei uns 6/7  meses no meu luto e quase 1 ano até voltar ao normal. Claro que não fiquei esse tempo todo chorando na cama, mas de certa forma a perda tinha deixado algumas marcas ruins no meu comportamento. A rispidez nas palavras com as pessoas próximas, o tom agressivo de falar. Eu não tinha voltado ao normal e meu casamento sofreu com isso. O pior e mais doido é que eram atitudes inconscientes. Se as bodas de papel e algodão tinham sido mágicas, as de trigo foram muito mais ou menos. Comemoramos,trocamos presentes, claro, mas o desgaste e sofrimento dos últimos meses fez com que a comemoração fosse estranha. Não sei se estranha é a palavra certa, mas foi diferente do que estamos acostumados, diferente do casal que sempre fomos.  Uma crise? Não sei. Pode até ser.

        E como superei e superamos tudo isso? Através de Deus. Quem me conhece, sabe que sempre fui muito apegada a Deus, mas distante da igreja. E na boa, a gente tem que fazer parte da igreja, tem que frequentar. O casal tem que orar junto. Estou falando isso sem 'carolice' e fanatismo. Muito menos querendo impor minhas crenças a quem quer que seja. O que falo é: se você acredita em alguma coisa, tem alguma religião, seja judaísmo, catolicismo, budismo ou qualquer religião que seja, apegue-se a isso e não permita que sua família se afaste do que você acredita, do seu Deus. Só assim pro casal se proteger e ter forças pra enfrentar qualquer provação.

       Hoje estamos grávidos novamente, com Deus ao centro de nossa família e na fé e esperança de que tudo dará certo, pois em breve, nossa Manuela (significado: "Deus conosco") estará chegando a esse mundo.

       Você que passou por isso recentemente ou está passando agora, fique tranquila. Toda essa dor vai passar. Só faça uma força para não descontar nas pessoas que mais ama esse sofrimento. E uma dica: perder filho não é normal. Pode até ser comum na primeira gestação, mas normal não é. Portanto, se seu médico disse isso, procure uma segunda opinião de um médico experiente e conhecido. A nossa tranquilidade não tem preço. Pra você que está pensando em engravidar, pergunte tudo ao seu médico, fale sobre trombofilia (muitas mulheres tem e não sabem nem do que se trata) e outras investigações não muito comuns. Peça uma investigação detalhada de você. Se o médico se recusar, troque de médico. Simples assim. Engravidar com o coração em paz não tem preço.

         E nunca esqueçam: Deus é o melhor remédio e o tempo é o segundo melhor.


Super beijo!